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Provavelmente você já tenha escutado comentários a respeito de que animais silvestres não são PET.

Primeiro precisamos esclarecer algumas coisas: São considerados “PET” todos os animais de estimação. Animais silvestres são todas as espécies consideradas como não domésticas e estas podem ser divididas, segundo a legislação do IBAMA, como nativas – toda e qualquer espécie da fauna que vive ou faz alguma parte da sua vida em território brasileiro – e exóticas – todas as espécies da fauna que não incluem terras brasileiras no seu ciclo de vida.

Existem ainda algumas espécies que são tidas normalmente como silvestres, mas são consideradas pelo IBAMA como domésticas. Como exemplos podemos citar a calopsita, o coelho, o hamster, o cisne e até mesmo camelos (Port. Nº 93, 07/07/98).

                Quem nunca sonhou em andar com um papagaio no ombro, como num filme de pirata, ou ter uma arara em sua casa? Isto é possível sim, mas com responsabilidade. Estes animais podem e são criados legalmente pelo que denominamos criatórios comerciais, e podem ser vendidos por empresas e pet shops devidamente registrados, denominados comerciantes.

                Diferentemente de animais comprados sem registro, (aqueles que são capturados na natureza, proveniente de tráfico), cuja estatística comprova que para cada animal vendido vivo, outros nove morrem neste processo até chegar na casa do “cliente”, e que a saúde humana corre risco, pois muitos destes animais carreiam zoonozes – doenças transmitidas dos animais ao homem – e em casos de captura e estresse estas doenças são facilmente transmitidas, os animais vendidos legalmente são provenientes de matrizes e reprodutores nascidos em cativeiro.  

Para garantir uma aquisição segura de um animal silvestre como amigo de estimação, deve-se observar com muito cuidado a procedência. Vamos começar pela identificação dos criatórios. Estes devem ter instalações compatíveis para a criação e reprodução dos animais e as matrizes e os reprodutores devem ter sido adquiridos de outros criatórios comerciais ou provenientes de excedentes de zoológicos ou CETAS (Centro de triagem de animais silvestres). Somente a segunda geração destes, ou seja, seus “netos”, podem ser comercializados. Todos os criatórios devem ter um responsável técnico (RT), veterinário, biólogo ou zootecnista e o seu plantel precisa ser todo identificado com anilha, microchip ou tatuagem, e deve estar sexado; Também deve manter registro dos animais com um controle sanitário rigoroso e fazer relatório anual para o órgão responsável. Já os comerciantes, que também devem ter um RT, devem possuir local adequado para a permanência dos animais até sua comercialização, com quantidade de luz, ventilação, água, refúgio, higiene e sanidade ideais para cada tipo de animal (IBAMA, Port. Nº 117, 15/10/97).

                Em toda compra de um animal silvestre legalizado deve ser fornecida nota fiscal e um “manual” com informações básicas – alimentação e cuidados da espécie escolhida. Esta nota fiscal comprova sua origem e habilita o novo amigo de estimação a transitar livremente como qualquer outro pet.

                Falando em escolha da espécie, primeiro temos a preferência de cada um: Alguns gostam de aves, outros de mamíferos e ainda há os aficcionados por répteis. Todos eles tem características distintas como ambiente, vocalização, alimentação, período predominante de atividade, etc… e todos estes pontos devem ser bem esclarecidos antes da aquisição de um novo membro para a família (isto serve inclusive para cães e gatos) e para isso é importante a informação passada por profissionais que conheçam muito bem a espécie pretendida.

Vale lembrar ainda que, assim como os cães e os gatos, animais silvestres também ficam doentes e necessitam cuidados especializados que não são encontrados em qualquer clínica veterinária.

Portanto, o mesmo cuidado – necessário no momento da aquisição de um animal silvestre para ser o seu amigo de estimação – deve ser observado quando da escolha da clínica veterinária e do profissional que vão tratar e ser os responsáveis pela saúde e bem estar do novo pet da casa. Eles são mais frágeis e normalmente menores e por isso o tratamento e o manejo, tanto em sua nova moradia como em uma clínica, deve ser diferenciado.

Lembre-se: A especialização e o conhecimento do médico veterinário em animais silvestres, nestes casos, é imprescindível para o correto manejo e diagnóstico da saúde e bem estar do novo pet, sendo uma garantia de muitas alegrias para a família que aumentou!

Para ilustrar esta matéria, convidamos para uma entrevista Mariane Feser, médica veterinária, doutora em Medicina Veterinária pela Universidade de Múrcia, Espanha, especialista em manejo de fauna silvestre e acupuntura, proprietária da Clínica ZOOMED.

JF – Doutora Mariane (DM), muitas pessoas gostariam de possuir um animal de estimação diferente e “exótico” como papagaio, arara, furão ou até mesmo tartaruga, mas não o fazem por receio, levando em consideração a incerteza por obterem informações desencontradas. Qual a sua opinião a respeito desta afirmativa?

DMAs pessoas que quiserem adquirir um animal silvestre para tê-lo como pet podem ficar tranquilas desde que comprem em pet shops com registro específico no IBAMA e que a venda tenha como característica a emissão de nota fiscal e a identificação do animal por anilha ou microchip. O que ocorre é que a imensa maioria dos animais silvestres encontrados como pet são provenientes do tráfico, que só perde para o de armas e drogas, estes sim, ilícitos.

JF – É possível manter animais silvestres como se mantém cães e gatos em casa?

DM – Diferentemente dos pets tradicionais, os silvestres demandam de um manejo diferente e um ambiente específico, não sendo aconselhável que tenham o mesmo tratamento de cães e gatos. Por exemplo, o hamster é um animal muito pequeno e  quando solto pode se esconder em locais inusitados, tornando difícil encontrá-lo e por isso deve ser mantido em uma gaiola apropriada. O papagaio, por ser uma ave, pode alçar vôo e, na pior das hipóteses, fugir. Para que isso não ocorra se faz necessário manejo de corte de penas da asa ou sua manutenção em gaiola ou viveiro. A  tartaruga, por sua vez, necessita de um aquaterrário com área seca e água.

JF –  Os animais silvestres precisam ir ao veterinário?

DM – Com certeza! Todos os animais, silvestres ou não, independente de sua procedência, precisam ter o cuidado de um médico veterinário especialista, pois todos os seres vivos podem sofrer algum tipo de enfermidade. Somente este pode diagnosticar com segurança o tipo de patologia (doença) que  os acomete e a melhor maneira de tratá-los e, principalmente, preveni-las . Devo lembrar que os animais silvestres, mantidos como pet, também possuem predadores na natureza e por isso mascaram suas doenças por instinto de sobrevivência, sendo muito importante o acompanhamento de um veterinário.

JFPossuem predadores mesmo sendo domesticados?

DMMuitas pessoas não se dão conta de que gatos domésticos, mesmo os mais bem alimentados, tem por instinto atacar pássaros e/ou outros animais de menor porte e que cães, até os menores, podem atacar ou “brincar” com outros animais existentes dentro de casa. Uma das maiores causas de atendimentos em tartarugas é por mordedura de cães.

JF – Doutora Mariane, para finalizarmos, quais são os seus conselhos para quem quer adquirir e/ou cuidar de um animal silvestre?

DM – Em primeiro lugar, muita informação. Neste contexto é bom destacar que, juntamente ao procedimento correto da aquisição, deve-se atentar às informações referentes a alimentação correta para cada espécie e fase de vida, instalações adequadas e a orientação de um bom especialista.Também aqui na clínica atendemos animais domésticos e silvestres (com hotelaria exclusiva para os silvestres). Sintam-se à vontade e sejam bem vindos.

PARAGRAFOS ESCRITOS ANTES…

                Diferentemente do que pensa a maioria das pessoas, alguns animais silvestres são, sim considerados “pet” e como tal podem ser comercializados e também mantidos em casa como os cães e os gatos. A portaria nº XX sustenta esta afirmação e existe uma discussão sobre quais animais…

Hoje a gama de acessórios para aves, répteis e principalmente roedores tem crescido muito. As rações especializadas para estes animais já são específicas para diferentes idades e fases da vida e muito bem balanceadas.

DADOS:

Os dados são alarmantes: 38 milhões de animais são retirados da natureza todos os anos e 90% deles morrem antes mesmo de chegarem ao seu destino final, devido às formas precárias de captura, ao estresse a que são submetidos e às más condições de alimentação e transporte. Além de reduzir e eliminar a quantidade de espécies da nossa fauna, o tráfico compromete o equilíbrio do ecossistema e causa sofrimento para os animais. Outra preocupação é com a saúde do homem, já que 70% das doenças que acometem os seres humanos são de origem animal e o contato com os bichos pode ser contagioso.

O comerciante de animais vivos da fauna silvestre brasileira, deverá apresentar o croquis detalhado das instalações onde os animais serão mantidos até sua comercialização, dados sobre alimentação, fornecimento de água, questões de higiene e sanitária dos animais e dos recintos, bem como a sua localização, para procedimentos de vistoria.

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